Quem é Anabela, servidora pública alvo de operação policial
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou uma operação contra um esquema de tráfico de drogas ligado à facção criminosa Comando Vermelho e incluiu, entre os alvos, a advogada Anabela Cardoso Freitas, com trânsito nos bastidores do poder há pelo menos uma década.
Segundo as investigações, ela é suspeita de integrar um grupo que utilizava empresas de fachada para adquirir drogas da Colômbia e introduzi-las na capital amazonense, em um esquema que teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018.
De acordo com a Polícia Civil, a organização contaria com um chamado “núcleo político”, formado por pessoas com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre os investigados também há um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.
Embora 14 pessoas tenham sido detidas até o momento, sendo oito no Amazonas, a prisão que mais gerou repercussão foi a da advogada Anabela Cardoso Freitas, que atualmente integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. A história dela na administração pública, porém, começa lá atrás.
Anabela é formada em Direito pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa) desde 2004, e possui pós-graduação em Segurança Pública e Inteligência Policial pela Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), concluída em 2012. Desde 2011, ela atua como investigadora da própria Polícia Civil do Amazonas, com salário estimado em R$ 20.923,69 em 2025.
Em 2015, ela foi cedida à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, onde atuou como assessora da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Em 2017, foi presidente da Comissão Assembleia Cidadã.
Em 2019, Anabela Cardoso Freitas atuou como chefe de gabinete da deputada estadual Mayara Pinheiro.

Em janeiro de 2021, foi nomeada como Secretária Executiva do Gabinete Pessoal do prefeito David Almeida. Ela foi exonerada da Prefeitura de Manaus em 2023. Em janeiro de 2025, Anabela voltou a ocupar cargo na administração municipal, sendo designada para integrar a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus.

Defesa nega vínculo de Anabela Freitas com investigados
A defesa da advogada Anabela Freitas afirmou que ela não possui qualquer relação com organizações criminosas ou com os investigados no âmbito da operação Erga Omnis. Segundo os advogados, Anabela atua há quase 20 anos como servidora pública, possui “reconhecida idoneidade” e nunca foi investigada ou processada anteriormente por qualquer crime.
De acordo com a nota, os esclarecimentos prestados por ela às autoridades referem-se exclusivamente à compra de passagens aéreas para fins pessoais em uma agência de viagens local, empresa que, conforme a defesa, apenas recentemente ela tomou conhecimento de que se tornou alvo da investigação.
Os representantes de Anabela também repudiaram o que classificam como tentativa de politização e exploração midiática do caso. Sustentam que a policial não possui qualquer vínculo ou benefício relacionado ao objeto das apurações e afirmam que declarações em sentido contrário configurariam “distorção da verdade”.
Veja a nota da Prefeitura de Manaus na íntegra
“A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos.
A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação. A verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações”.

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