Operação-bomba vira combustível e incendeia ofensiva contra David
Ação da Polícia Civil do Amazonas provoca incêndio eleitoral e aciona a sirene política; adversários metralham o prefeito, que reage em nota
Às vésperas de anunciar a candidatura ao governo do Amazonas, caiu como uma bomba na pré-campanha do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), a operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, que prendeu sua ex-assessora de gabinete, Anabela Cardoso de Freitas. O prefeito cancelou compromissos oficiais nesta sexta-feira (20) em meio à repercussão da ação policial.
Poucas horas após a prisão, adversários já usam o fato politicamente, em postagens, a fim de fragilizar o capital político do prefeito. “A Prefeitura de Manaus, sob o comando do prefeito David Almeida, está ligada ao comando vermelho”, disparou em vídeo o deputado federal Alberto Neto, presidente municipal do PL/AM, que foi ao segundo turno com David na Eleição 2024.
O deputado federal Amom Mandel (Cidadania), que apoiou Alberto Neto na segunda etapa da campanha eleitoral, também atirou: “A operação da Polícia Civil confirma denúncias que vínhamos fazendo há anos. A ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, atualmente integrante da comissão de licitação da Prefeitura, foi presa sob suspeita de ligação com o núcleo político do Comando Vermelho”.
A empresária Maria do Carmo Seffair, pré-candidata ao governo do Amazonas pelo PL, colocou o tema eleitoral em cena: “Será que o Amazonas merece esse tipo de governante?”, questionou, em suas redes sociais. “Segundo a polícia, na ante-sala do prefeito, tinha uma agente a serviço do crime organizado. E o que será que ela fazia? Em que tipo de decisões influenciava?”
Em nota, a Prefeitura de Manaus disse ser “inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos”.
Entenda
A ação da Polícia Civil do Amazonas – que também mobiliza forças policiais de outros estados – resultou na prisão da ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, Anabela Cardoso Freitas, hoje integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ela é investigadora de polícia e também advogada.
A operação mira uma organização criminosa com atuação interestadual suspeita de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e de manter um “núcleo político” vinculado à facção Comando Vermelho, com movimentação financeira estimada em dezenas de milhões de reais nos últimos anos. Um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas também foi preso.
Ao todo, são cumpridos mais de 20 mandados de prisão e busca em ao menos seis estados, com alvos que incluem servidores públicos, policiais e ex-assessores parlamentares.
Veja a nota da Prefeitura de Manaus na íntegra:
“A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos.
A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação. A verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações”.

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