PT usa versículos e faz campanha para Lula em Carta aos Evangélicos
O PT divulgou nesta segunda-feira (8) uma Carta aos Evangélicos em que mistura linguagem religiosa, citações bíblicas de Isaías, Tiago, Mateus, Efésios, Pedro e a defesa explícita da reeleição do presidente Lula.
O documento, produzido no IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, afirma rejeitar “toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política”. Mas, ao longo do texto, usa versículos para sustentar pautas associadas ao PT, como reforma agrária, combate à fome, defesa do meio ambiente e fim da escala 6×1.
A carta ainda funciona como vitrine dos governos petistas. O texto vende programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Brasil Sorridente, Pé de Meia, Farmácia Popular, Gás do Povo e outras ações federais como políticas públicas do PT que “têm feito diferença na vida do povo brasileiro”.
O tom eleitoral aparece de forma mais clara no trecho em que o documento menciona “os desafios do Brasil e das eleições de 2026” e apresenta propostas para um plano de governo. Ao final, a carta declara apoio à “continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
No texto, ao mesmo tempo em que diz que não se deve “tirar proveito político de uma coisa sagrada”, o PT usa linguagem bíblica e símbolos evangélicos para tentar reduzir resistências ao partido nesse segmento e pavimentar apoio a Lula em 2026.
Livro de Isaías e a Escala 6×1
A carta abre com uma citação de Isaías (“Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados”) e depois recorre a trechos de Tiago, Mateus, Efésios e Pedro. O documento afirma que “a fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação”.
Em seguida, associa esse chamado à defesa da democracia, da justiça social, da Reforma Agrária, do fim da escala 6×1 e de políticas públicas defendidas pelo campo governista.
‘Uso eleitoral da fé’ e apoio a Lula em 2026
A peça assume caráter eleitoral de forma mais explícita quando passa a tratar das eleições de 2026. O documento afirma que o encontro refletiu sobre “os desafios do Brasil e das eleições de 2026” e estimula a presença ativa de evangélicos “nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país”.
A carta declara apoio à “continuidade do projeto democrático e popular” liderado por Lula. O texto diz que esse compromisso “não nasce do uso eleitoral da fé” e cita o próprio Lula ao afirmar que não se deve “tirar proveito político de uma coisa sagrada”.

Foto: Ricardo Stuckert

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