Eleitor independente troca Flávio por Lula e amplia vantagem do petista
Na simulação de segundo turno, Lula aparece agora com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), acendeu um sinal de alerta na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e impulsionou o fôlego do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026. Mais do que a vantagem geral de Lula no segundo turno, o dado relevante está no comportamento do eleitor independente: aquele que não se declara lulista, bolsonarista, de esquerda ou de direita.
Nesse segmento, segundo a análise da Quaest, Lula avançou de 29% em maio para 37% em junho. Flávio fez o caminho inverso: caiu de 31% para 24%. Foi esse deslocamento que ajudou o petista a abrir seis pontos de vantagem no confronto direto contra o senador, em um cenário que, até a rodada anterior, estava praticamente empatado.
Na simulação de segundo turno, Lula aparece agora com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Em maio, o placar era de 42% a 41%, dentro da margem de erro. No primeiro turno estimulado, o presidente também lidera, com 39%, enquanto Flávio recuou para 29%.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, em declaração ao G1, resumiu o movimento em uma frase: “A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula”.
A leitura é importante porque confirma que a polarização segue forte nas bases mais ideológicas, mas o centro menos engajado voltou a pesar a favor de Lula. Entre bolsonaristas, Flávio continua dominante. O problema para o senador aparece fora desse núcleo duro, especialmente entre independentes e entre eleitores de direita não bolsonarista.
Esse eleitorado vinha sendo tratado como uma das principais apostas de Flávio para reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro e se apresentar como uma alternativa mais moderada ao presidente. A rodada de junho, porém, mostra que essa estratégia perdeu tração no momento em que o senador passou a enfrentar desgaste simultâneo em três frentes: o caso Banco Master, a agenda com Donald Trump e a disputa de narrativa sobre o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

Dark Horse
A pesquisa foi a primeira da Quaest após a divulgação de conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em torno de financiamento para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O levantamento também captou o impacto da viagem do senador aos Estados Unidos, onde se encontrou com Trump, e da posterior decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, além da ameaça de novas tarifas a produtos brasileiros.
Erro
Os dados mostram que o episódio do Banco Master deixou marcas. A percepção de que o caso atinge mais a família Bolsonaro subiu de 9% para 16%. Além disso, 65% dos entrevistados avaliam que Flávio errou ao pedir financiamento a Vorcaro para o filme sobre o pai. Para 58%, o episódio sugere que o senador pode estar escondendo algum envolvimento ilegal no caso.
PCC e CV como terroristas
A agenda internacional também não produziu o efeito esperado. Embora a maioria dos brasileiros defenda que facções criminosas sejam tratadas como organizações terroristas pela legislação brasileira, a população se divide quando a iniciativa parte do governo dos Estados Unidos. Para 47% dos entrevistados, Flávio influenciou a decisão americana de designar PCC e CV como terroristas. Outros 37% dizem que ele não teve influência.
Narrativa
No debate sobre o tarifaço, Lula também leva vantagem na narrativa. Segundo a Quaest, 47% concordam mais com a versão de que Flávio pediu novas tarifas contra o Brasil, enquanto 35% acreditam na explicação do senador, de que ele tentou convencer Trump a não impor as medidas. Quando a pergunta trata da motivação das tarifas, 46% concordam com a versão de Lula, segundo a qual a medida seria uma retaliação ao Pix. Já 36% aderem à tese de Flávio, de que o tarifaço seria resposta às declarações de Lula contra os Estados Unidos.
Concorrência
O resultado é que Flávio permanece como o principal nome da oposição, mas aparece mais vulnerável. Outros candidatos da direita, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, ainda não conseguem ser mais competitivos contra Lula. Mesmo assim, a perda de fôlego do senador entre independentes mostra que sua candidatura passa a depender menos da fidelidade bolsonarista, já consolidada, e mais da capacidade de reconstruir pontes com o eleitor moderado.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

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