R$ 100 milhões da UEA, Banco Master e recuo: entenda a crise que explodiu no governo Roberto Cidade
A ofensiva política do senador Omar Aziz (PSD) e do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), contra medidas adotadas pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), levou o chefe do Executivo a recuar.
Após críticas ao decreto que retirava R$ 100 milhões do fundo mantenedor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para o AmazonPrev, Cidade anunciou a suspensão da medida e informou que os recursos serão apenas contingenciados dentro do orçamento estadual.
O tema ganhou dimensão política depois que Omar usou a tribuna do Senado Federal para acusar o governo do Estado de retirar dinheiro da UEA para cobrir problemas financeiros da Previdência estadual.
O senador prometeu acionar os órgãos de controle e relacionou o caso ao escândalo do Banco Master, devido a aporte financeiro feito pelo AmazonPrev na instituição financeira, em 2025, no valor de R$ 50 milhões, o que é alvo de investigação da Polícia Federal.
“Estou fazendo um apelo ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público do meu estado, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, à PGR, para que tomem providências em relação à grande gandaia que se tornou o erário no meu estado”, disparou Omar Aziz, na plenário do Senado, nesta quarta-feira (10).
Em vídeo publicado em suas redes sociais, David Almeida mencionou Daniel Vorcaro e afirmou que a medida de Roberto Cidade teria como fim diminuir o “rombo” da Previdência do estado ocasionado pelo banqueiro. “Isso já deu cassação de presidente da República, a chamada pedalada fiscal”, disse o ex-prefeito.
Omar e David são pré-candidatos ao governo do Amazonas. Ambos devem concorrer com Roberto Cidade, que ainda não admitiu publicamente, mas se movimenta para buscar a reeleição.
Reação
Em entrevista coletiva na sede do governo do Amazonas, nesta quinta-feira (11), Cidade negou que a Universidade do Estado do Amazonas seria prejudicada com o decreto e afirmou que o bloqueio tem caráter fiscal. “Estamos fazendo um simples bloqueio para poder evitar aumento de despesas”, argumentou.
Ele atribuiu parte da controvérsia ao ambiente pré-eleitoral. Sem citar diretamente os adversários, disse que há “narrativas políticas” em torno de medidas semelhantes às que, de acordo com ele, já foram adotadas por governos anteriores, em momentos de ‘aperto fiscal’.
“O valor continuará contingenciado e será liberado conforme as necessidades da Universidade do Estado do Amazonas. Os serviços da UEA seguem funcionando integralmente, sem qualquer prejuízo para alunos, professores, pesquisadores e demais servidores. Somos um único governo e precisamos agir com cautela, responsabilidade pública e compromisso institucional para garantir a manutenção de todos os serviços prestados à população”, sustentou Roberto Cidade.
Queda na arrecadação
Ainda Segundo Cidade, a arrecadação estadual caiu cerca de R$ 695 milhões no primeiro semestre deste ano, devido à queda do dólar, o que reduziu a receita de ICMS sobre importações da Zona Franca de Manaus. Por isso, medidas de contingenciamento são necessárias, conforme ponderou.

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